sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O preço da impunidade

Por Ernias Dias

Chega ao fim a busca às vitimas do catastrófico naufrágio do barco Comandante Sales. Um saldo estarrecedor: 47 corpos encontrados e mais “talvez” o dobro, desaparecidos nas águas barrentas do rio Solimões.

A quem punir? A quem atribuir tamanha irresponsabilidade? A quem sentenciar como culpado? Não precisa ser expert no assunto para entender que a ganância acaba levando o homem ao encontro da morte.

A fatalidade, a imprudência e o desrespeito aniquilam vidas, arrasam sentimentos, emergem sonhos... planos, alegrias, tudo se foi, apenas a dor dos amigos e parentes permanece e com eles a certeza de que muitos nunca mais serão vistos...

Porque não respeitar o ser humano? Porque não respeitar o curso da vida? Porque impedir que muitos sonhos se realizem? Que o resultado desse triste episódio não sirva somente para alguns dias de reflexão, mas que os proprietários de embarcações possam respeitá-las e saber que não são mercadoria para serem empilhadas ao preço da ganância, torpeza e leviandade.

É preciso respeitar a vida. Fazer o que fez o dono do barco Comandante Sales, que na madrugada do naufrágio estava com três vezes o peso da capacidade de navegação, é sair ao encontro da morte. E não adianta dizer que teve briga, confusão à bordo, faltou respeito pelo ser humano, assim como vai faltar pulso para condenar os culpados por essa tragédia no Rio Solimões, próximo à Manacapuru no Amazonas.

Tenho esperanças que um dia a ganância dê lugar ao respeito e possamos não mais noticiar a tristeza daqueles que perderam parentes e amigos, mas alegria, até por que o rio continua o seu curso e que a correnteza carregue em seus braços não corpos mas a alegria de viver do caboclo ribeirinho, muitas vezes roubada ao preço da irresponsabilidade, um "câncer" que está impregnado no país.